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Presidentes de algumas das principais empresas de celulose e papel de todo o mundo − incluído o Brasil − estarão reunidos em Londres, no dia 28 de maio, para participar da quarta CEOs Roundtable, um dos mais importantes eventos do setor, promovido pelo International Council of Forest and Paper Associations (ICFPA). Presidida por Teresa Presas, a entidade reúne associações de 40 países – entre as quais a Bracelpa – e blocos regionais, que representam as indústrias de base florestal e produtoras de celulose e de papel. A sustentabilidade das florestas do setor, o debate sobre as mudanças climáticas e a valorização ambiental dos produtos florestais estão entre as principais atividades do ICFPA.

O encontro deste ano terá como foco, além de um balanço dos impactos da crise financeira nos diferentes mercados desta indústria, o debate de perspectivas para os próximos 15 anos. O tema foi escolhido meses antes do abalo na economia mundial. O ICFPA tinha inicialmente a proposta de estabelecer um cenário para a indústria de celulose e papel em um período de crescimento da demanda, em especial por países em desenvolvimento. Seriam avaliadas, entre outras, questões relativas a alternativas para o consumo de energia e de água, o papel do setor na discussão das mudanças climáticas e a direção dos investimentos, uma vez que, em meados de 2008, se constatava uma tendência de migração das empresas do hemisfério Norte para o Sul.

Se, naquela época, essa pauta reunia pontos fundamentais para o setor, seu debate ganhou ainda maior importância, mas agora sob novo enfoque. Apesar de alguns sinais de retomada da economia e da volta de crédito, nenhum economista se arrisca a prever prazos para que, de fato, a estabilidade, mesmo que em parâmetros diferentes dos anteriores à crise, volte aos mercados mundiais. Assim, diante deste complexo cenário, quais serão as tendências do setor de celulose e papel? Como se comportarão as empresas nas diferentes regiões do mundo?

Ainda há muitas perguntas sem resposta, porém já podemos afirmar que a presença do Brasil no mercado mundial de celulose e papel será maior no período após a crise. As empresas do setor de celulose e papel instaladas no País – assim como a própria economia nacional, que demonstra ter uma base sólida para enfrentar a atual instabilidade – estão estruturadas para, depois dessa fase conjuntural, saírem fortalecidas. Assim, o Brasil poderá transformar a crise em oportunidade de crescimento neste mercado com mais facilidade do que países desenvolvidos, diretamente afetados pela turbulência financeira.

Esse é o cenário de médio e longo prazos que a Bracelpa apresentará durante o encontro do ICFPA e que resume as perspectivas com as quais atualmente trabalham as empresas do setor de celulose e papel. Além da avaliação do mercado, esse cenário se baseia no fato de o Brasil ser referência mundial por suas práticas de manejo florestal sustentável, pela produtividade das florestas plantadas de pínus e eucalipto e pela qualidade da celulose e do papel que produz.

Durante a CEOs Roundtable também serão apresentados os resultados do Brasil nos primeiros meses de 2009. A partir de março, os números apontam a retomada nos mercados interno e externo, sobretudo com recuperação do segmento de papéis, que, em comparação a fevereiro, apresentou crescimento nos volumes de produção, vendas domésticas e exportação. No caso do mercado interno, a recuperação se deu, principalmente, em consequência do aumento das vendas de produtos de consumo em geral, que levou ao aumento de 11,5% das vendas de papel em relação a fevereiro.

As vendas de celulose, com crescimento de 7,5% sobre fevereiro, começam a dar sinais de recuperação no mercado interno, com expectativas de que isso se mantenha. As exportações também mostram tendência de crescimento, principalmente em relação à China. Na avaliação do setor, os preços já chegaram aos seus índices mais baixos e deverão começar a se recuperar nos próximos meses. Enquanto isso, nota-se a retração da produção de fabricantes menos competitivos, principalmente os instalados no hemisfério Norte, inclusive com o fechamento de algumas fábricas. Dados como esses mostram tendências de um realinhamento de mercado, no qual a importância do Brasil se revela cada vez mais real. Se a crise financeira foi gerada pelo crédito, terá solução no consumo. O Brasil, por todos os pontos aqui já apresentados, se destacará no atendimento mundial das demandas dos principais mercados de celulose e papel.

 

Elizabeth de Carvalhaes
Presidente Executiva da Bracelpa
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