Por que as florestas plantadas são importantes

Artigos Assinados | Artigo Bracelpa | 16.10.2009
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Os setores de celulose e papel, siderurgia e madeira do Brasil têm as florestas plantadas mais produtivas e sustentáveis do mundo: são recursos renováveis, produzem energia limpa e absorvem milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano. Além de todos os benefícios relacionados ao seu papel na mitigação dos efeitos do aquecimento global, essas florestas podem gerar um novo patamar de investimentos no País. Essas são as mensagens que a Bracelpa está divulgando em diversos fóruns nacionais e internacionais, visando à 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), a realizar-se em dezembro em Copenhague (Dinamarca).

A COP-15 definirá as metas e os compromissos voluntários que serão assumidos por cerca de 200 países em todo o mundo para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. Como um de seus desdobramentos, deverá promover a revisão do Protocolo de Kyoto – instrumento pelo qual as decisões firmadas na Conferência serão formalizadas em termos de cronograma, processos, mecanismos, etc.

Entre todos os pontos a serem debatidos nessa revisão, os mais importantes para o setor estão relacionados ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), pelo qual os países desenvolvidos podem atingir suas metas quantificadas de redução e limitação de emissões estabelecidas pelo Protocolo mediante a aquisição de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs), mais conhecidas como “créditos de carbono”.

Como bem definiu o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, negociador do governo brasileiro na COP-15 pelo Ministério das Relações Exteriores, o MDL “constitui-se, para os países em desenvolvimento, na face mais visível do Protocolo de Kyoto e da luta contra a mudança do clima”. Nos últimos anos, os projetos de MDL reduziram emissões e geraram créditos de carbono em todo o mundo, permitindo também que os países desenvolvidos compensassem suas emissões, comprando esses créditos de países em desenvolvimento.

No Brasil, o interesse das empresas dos mais diversos setores, inclusive de celulose e papel, foi tão grande que o País ocupa hoje o terceiro lugar em número de projetos de MDL no mundo. A expectativa de diversos setores da economia brasileira é a de que, na revisão do Protocolo, sejam criadas novas ferramentas e metodologias para o MDL, o que representará uma oportunidade ainda maior para o País.

Em relação ao setor, a Bracelpa defende a inclusão de regras rígidas de monitoramento dos estoques de CO2 no âmbito desse mecanismo, além da criação de seguros e resseguros relacionados a casos fortuitos, tais como os riscos relacionados a eventos da natureza. Com essas alterações, espera-se que a União Europeia retire as barreiras à comercialização de créditos de carbono florestais.

O desafio é grande, mas o esforço se justifica. O reconhecimento das florestas plantadas, ao gerar novos investimentos para o setor, será também um grande estímulo a estratégias de inovação e modernização das empresas de celulose e papel, o que, consequentemente, poderá levar a um aumento da quantidade de CO2 por elas sequestrado. Além disso, esses investimentos poderão ser aplicados na recuperação de áreas degradadas, que, por meio do manejo sustentável, resultarão na geração de empregos e renda em comunidades ao redor dessas novas florestas plantadas.

Durante a COP-15, o Brasil terá uma grande oportunidade de reforçar seu modelo econômico de baixo carbono, e, neste contexto, as florestas plantadas têm papel fundamental. Assim, os créditos de carbono por elas gerados precisam ser valorizados. Para isso, é fundamental que os países desenvolvidos assumam ambiciosas metas de redução das emissões de gases do efeito estufa.

Metas discretas de redução, que não valorizam as economias de baixo carbono, poderão levar à simples compensação das emissões pela compra de créditos de carbono. Essa será, aparentemente, uma solução no curto prazo, mas terá pouca efetividade: a mudança deve ser estrutural, em busca de um processo produtivo que, de fato, reduza os impactos na natureza e garanta um planeta saudável para as próximas gerações.


 

Elizabeth de Carvalhaes
Presidente Executiva da Bracelpa
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